Uma Ficção Espacial
December 15th 2008 04:00
Ser escritora é transformar sua vida numa grande aventura, tudo e todos ao seu redor são histórias e vítima potenciais, já que o bom cronista expõe intimidades sem restrição, suas próprias ou alheias.
Enquantro sobre as outras pessoas conto verdades, metade das minhas próprias aventuras são imaginárias.
Por exemplo, recentemente decidi mudar de emprego. Por estar indecisa sobre o novo caminho a tomar e por estar empenhada em desenvolver meus projetos de escritora, arrumei um emprego temporário. Teoricamente sou recepcionista e assistente administrativa; praticamente esse é o salário mais fácil que já recebi na vida. Meu trabalho tem sido atender meia dúzia de telefonemas, separar o correio, sorrir, dizer bom dia, eventualmente abrir uma porta…
Nem vou tentar explicar, nunca se deve questionar dádivas do Universo, mistérios são mistérios e pronto. O resultado é que fico livre demais para delirar e escrever.
Ah! Uma outra tarefa atribuída a mim é a de “anunciadora de aeroporto”… Alguém me liga e pede para eu anunciar algo do tipo:
- Funcionários do recebimento, por favor reportar à Doca 23.
Me sinto o máximo, falo com voz de aeromoça e meu anúncio sai alto e claro no galpão de distribuição inteiro, um lugar gigantesco, do tamanho de uma nave intergalática.
Eu não sou uma fanática das piores mas posso me considerar uma “treker”. Trekers são esses fans da série de ficção científica. Sabe aquela do Spok e Capitão Kirk (para os mais velhinhos)? Ou da Enterprise e do Dr. Flox (para os adeptos mais recentes)?
Assisti nessa vida uma quantidade razoável de episódios e filmes das várias ramificações da série e até sei o nome de um bocado de personagens.
Estou dizendo tudo isso para explicar meus delírios no emprego novo.
Nessa empresa onde estou, usamos uma transportadora chamada “Startrack” nome que é pronunciado igualzinho à série da TV Star Trek.
Com isso na cabeça, todos os dias me sinto como se estivesse dentro de uma nave espacial, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve. As portas aqui são automáticas e até fazem um barulhinho parecido com as portas da Enterprise. De vez em quando um alarme altíssimo dispara e eu acho que estamos sendo atacados pelos Romulanos. Outra vezes se trata de um alarme baixinho e eu já concluo que é só uma nave não identificada que se aproxima então entramos em estado de alerta mas não em preparação para a guerra.
Para completar, hoje de manhã vi um Capitão Pickard no ônibus, igualzinho ao ator, carequinha e tudo. Quando cheguei no trabalho retomei a vontade que tenho de acrescentar uns detalhesinhos nos anúncios que me pedem.
A princípio eu fingiria que eram pequenos erros, sem querer-querendo:
- Segurança favor reportar à Doca 23 para receber um alien, digo, um visitante.
- Recebimento, a nova peça para o teletransporte, me perdoem, para a transportadora, se encontra à sua disposição na doca de aterrisagem, digo, de recebimento.
Depois as coisas iriam ficando piores, meus delírios aumentando e eu nem me corrijo mais:
- Fulano de Tal por favor se apresente ao Holodeck para treinamento.
- João, Maria e José, se apresentem ao capitão imediatamente.
- Atenção, a reunião na ponte de comando se iniciará em cinco minutos. Por favor todos os convocados se dirijam ao local.
Agora, se alguma hora eu for despedida vai ser por ter anunciado no microfone:
- Capitão, reporte à ponte de comando imediatamente!
Aí minha voz sá se altera um pouco e falando alto eu continuo:
- Estamos sendo atacados pelos Klingons! A Doca 23 foi destruída! Manutenção e Equipe de Emergência procedam imediatamente ao local!!! Há um rompimento no casco, repito, temos um rompimento NO CASCO!!!!!!!!!
Nesse ponto eu perco as estribeiras e já estou gritando a plenos pulmões:
- SEGURANÇA! SEGURANÇA! ALERTA DE INTRUSOS! ESTAMOS SENDO INVADIDOS! OS MARCIANOS ESTÃO CHEGANDO!!!
Então o telefone toca e eu atendo com voz doce, doce:
- Recepção bom dia, Tania falando, como posso ajuda-lo?
Do outro lado ouço a voz do Capitão, digo, do Diretor…
Enquantro sobre as outras pessoas conto verdades, metade das minhas próprias aventuras são imaginárias.
Por exemplo, recentemente decidi mudar de emprego. Por estar indecisa sobre o novo caminho a tomar e por estar empenhada em desenvolver meus projetos de escritora, arrumei um emprego temporário. Teoricamente sou recepcionista e assistente administrativa; praticamente esse é o salário mais fácil que já recebi na vida. Meu trabalho tem sido atender meia dúzia de telefonemas, separar o correio, sorrir, dizer bom dia, eventualmente abrir uma porta…
Nem vou tentar explicar, nunca se deve questionar dádivas do Universo, mistérios são mistérios e pronto. O resultado é que fico livre demais para delirar e escrever.
Ah! Uma outra tarefa atribuída a mim é a de “anunciadora de aeroporto”… Alguém me liga e pede para eu anunciar algo do tipo:
- Funcionários do recebimento, por favor reportar à Doca 23.
Me sinto o máximo, falo com voz de aeromoça e meu anúncio sai alto e claro no galpão de distribuição inteiro, um lugar gigantesco, do tamanho de uma nave intergalática.
Eu não sou uma fanática das piores mas posso me considerar uma “treker”. Trekers são esses fans da série de ficção científica. Sabe aquela do Spok e Capitão Kirk (para os mais velhinhos)? Ou da Enterprise e do Dr. Flox (para os adeptos mais recentes)?
Assisti nessa vida uma quantidade razoável de episódios e filmes das várias ramificações da série e até sei o nome de um bocado de personagens.
Estou dizendo tudo isso para explicar meus delírios no emprego novo.
Nessa empresa onde estou, usamos uma transportadora chamada “Startrack” nome que é pronunciado igualzinho à série da TV Star Trek.
Com isso na cabeça, todos os dias me sinto como se estivesse dentro de uma nave espacial, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve. As portas aqui são automáticas e até fazem um barulhinho parecido com as portas da Enterprise. De vez em quando um alarme altíssimo dispara e eu acho que estamos sendo atacados pelos Romulanos. Outra vezes se trata de um alarme baixinho e eu já concluo que é só uma nave não identificada que se aproxima então entramos em estado de alerta mas não em preparação para a guerra.
Para completar, hoje de manhã vi um Capitão Pickard no ônibus, igualzinho ao ator, carequinha e tudo. Quando cheguei no trabalho retomei a vontade que tenho de acrescentar uns detalhesinhos nos anúncios que me pedem.
A princípio eu fingiria que eram pequenos erros, sem querer-querendo:
- Segurança favor reportar à Doca 23 para receber um alien, digo, um visitante.
- Recebimento, a nova peça para o teletransporte, me perdoem, para a transportadora, se encontra à sua disposição na doca de aterrisagem, digo, de recebimento.
Depois as coisas iriam ficando piores, meus delírios aumentando e eu nem me corrijo mais:
- Fulano de Tal por favor se apresente ao Holodeck para treinamento.
- João, Maria e José, se apresentem ao capitão imediatamente.
- Atenção, a reunião na ponte de comando se iniciará em cinco minutos. Por favor todos os convocados se dirijam ao local.
Agora, se alguma hora eu for despedida vai ser por ter anunciado no microfone:
- Capitão, reporte à ponte de comando imediatamente!
Aí minha voz sá se altera um pouco e falando alto eu continuo:
- Estamos sendo atacados pelos Klingons! A Doca 23 foi destruída! Manutenção e Equipe de Emergência procedam imediatamente ao local!!! Há um rompimento no casco, repito, temos um rompimento NO CASCO!!!!!!!!!
Nesse ponto eu perco as estribeiras e já estou gritando a plenos pulmões:
- SEGURANÇA! SEGURANÇA! ALERTA DE INTRUSOS! ESTAMOS SENDO INVADIDOS! OS MARCIANOS ESTÃO CHEGANDO!!!
Então o telefone toca e eu atendo com voz doce, doce:
- Recepção bom dia, Tania falando, como posso ajuda-lo?
Do outro lado ouço a voz do Capitão, digo, do Diretor…
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